A Oração da Taça Vazia(Prayer of the Empty Cup)Sant Rajinder SinghEsta palestra foi proferida por Sant Rajinder Singh Ji Maharaj em outubro de 1991.Quando as pessoas oram, notamos que geralmente elas ficam de mãos postas. E sempre que vemos pessoas recebendo algo de um santo, no Oriente, notamos que elas mantém as mãos abertas em forma de taça. Observando isso, comecei a pensar que deveríamos ir a um santo ou Mestre como se fôssemos uma taça vazia.Na minha vida, cada vez que pensava no verdadeiro significado da oração, sempre imaginava uma taça vazia. Isto simbolizava o mais elevado tipo de oração. A taça nos dá a imagem da atitude que deveríamos adotar quando vamos a um santo em busca dos tesouros da espiritualidade.Mesmo na vida cotidiana, quando procuramos um professor em qualquer campo, entendemos que ele tem alguma coisa a oferecer ao estudante. Pode ser conhecimento intelectual ou treinamento profissional. Podem ser técnicas para praticar um esporte ou talvez a destreza em uma representação artística. Qualquer estudante que procura um instrutor e esteja ansioso e disposto a aprender, definitivamente ganhará alguma coisa. Mas se o aluno for vaidoso e pensa que sabe mais que o professor, lucrará pouco. Quando temos essa atitude, privamos a nós mesmos de receber o que o professor nos quer dar. E assim impedimos nosso próprio desenvolvimento.O grande cientista Isaac Newton uma vez falou da vastidão do conhecimento. Afirmava que estava simplesmente colhendo pedrinhas da praia do tempo. Se um gigante intelectual como Newton se sentia como se fosse um mero estudante com muito ainda a aprender, então, como pode qualquer um de menor estatura intelectual sentir-se tão orgulhoso de seus conhecimentos?Se queremos aumentar nossos conhecimentos, aprimorar nossas habilidades técnicas em qualquer campo, então precisamos estar abertos para receber o que o instrutor tem para nos dar.Este princípio é igualmente válido para as ciências espirituais. Quando vamos a um Mestre espiritual para aprender a conhecer nosso ser e conhecer a Deus, precisamos nos aproximar d'Ele com desejo de aprender. Temos de ir a um professor espiritual como se fôssemos uma taça vazia para receber d'Ele o néctar de Sua sabedoria divina. Uma taça colocada de boca para baixo diante de uma jarra não pode conter nenhuma quantidade de água que for servida nela. Uma taça cheia com sua própria água não tem espaço para receber nada novo que possa ser derramado nela. Somente uma taça vazia, colocada de forma correta, está pronta para receber a água de vida que o Mestre espiritual derrama em grande quantidade.O que o Mestre tem para nos dar é único. Não se recebe de ninguém mais neste mundo. De todos os outros instrutores obtemos conhecimento exotérico, que é o conhecimento do mundo externo. De um Santo recebemos conhecimento esotérico, conhecimento do mundo interno.Poucas pessoas têm acesso à sabedoria esotérica. Mas há muitas pessoas que visitam um santo, orgulhosas de seu conhecimento intelectual. Estão inflamados com tanto ego que sentem que sabem mais que o Mestre.Estas pessoas egotistas podem ser completamente versadas em todas as escrituras do mundo. Podem ser peritas no campo da religião comparada e capazes de recitar os Vedas e os Upanishads sem nenhum erro.Quando algumas destas pessoas vão a um santo, estão tão ansiosas para demonstrar seu próprio conhecimento que não estão preparadas para escutar a palestra do Santo. Enquanto o Santo fala, suas mentes estão tão ocupadas avaliando e julgando Suas palavras que perdem a essência do satsang. Talvez comparem Suas palavras com as de um ou outro livro sagrado ou talvez prestem atenção nas palavras que Ele usa ou ainda na maneira como Ele se veste. Enquanto esses pensamentos continuam, não se concentram completamente no que ele está dizendo e perdem Suas pérolas de sabedoria. Não perdemos apenas as palavras de um Mestre quando vamos a Ele cheios de orgulho de conhecimento, diz-se que um terço dos ensinamentos de um Mestre vem das palavras que saem de Sua boca e dois terços através de Sua irradiação espiritual.Quando um Santo está celebrando um satsang, não se comunica apenas por meio da linguagem falada. Ocorre também uma comunicação de alma para alma. O Poder divino de Deus flui através do Mestre e envolve a alma do discípulo para atraí-lo até Ele. Quando a mente está quieta, não há nenhuma interferência com a conexão direta entre nossa alma e o Poder de Deus que é irradiado através do Mestre.Aqueles que vêm como uma taça vazia, recebem a dose completa de divindade do Taberneiro. Suas almas experimentam elevação e começam a retirar-se de seu corpo físico. Algumas pessoas se retiram até completamente de seus corpos durante o satsang. Outros constatam que quando se sentam em meditação depois de assistirem a um satsang, desfrutam de melhores experiências interiores. Quanto mais vazios nos sentarmos no satsang maiores benefícios receberemos por estarmos em companhia de um Ser que realizou a Deus.A imagem da taça vazia também descreve a atitude que deveríamos adotar quando formos meditar. A meditação é uma experiência na qual o Senhor está derramando sobre nossos cântaros, do vinho divino do Naam. Se sentarmos em meditação como uma taça vazia, obteremos um progresso espiritual mais rápido.Algumas vezes nos sentamos para meditar e começamos a pensar que deveríamos ver a luz colorida ou as estrelas ou a forma radiante do Mestre. Nossa mente se empenha tanto em ver o que queremos, que nos distancia de nossa concentração. A meditação requer que não sejamos perturbados por pensamentos gerados pela mente. Mesmo o fato de sentarmos para meditar com idéia preconcebida daquilo que poderíamos ver é considerado uma distração. Se estamos constantemente pensando naquilo que queremos obter na meditação, estará bloqueando o caminho de entrada da graça divina. Sant Kirpal Singh Ji Maharaj costumava descrever esta situação como a de um amigo que bate a nossa porta e não pode entrar porque estamos parados na entrada. Até mesmo o pensamento do que esperamos ver na meditação é um obstáculo porque mantém nossa mente ativa e não podemos focar nossa atenção na Luz interior.Quando nos sentarmos para meditar deveríamos fazer um esforço sem esforço. Deveríamos simplesmente olhar fixamente o que se encontra a nossa frente, sem nenhum pensamento sobre o que aparecerá ou o que deveria aparecer. Quanto mais depressa aprendermos a nos sentar em meditação nesse estado, mais depressa teremos progresso interior. É o Mestre quem decide o que nos dar interiormente. Simplesmente temos de nos sentar à porta e esperar. Perceberemos que o Mestre nos encherá com mais graças e bênçãos do que poderíamos jamais sonhar. Se nos sentarmos com humildade e mantivermos as mãos abertas a qualquer coisa que queira nos dar; Ele derramará cântaros e mais cântaros das doces águas do Naam. O vinho divino do Sagrado Verbo fluirá através de nós e em volta de nós e estaremos saturados de bem-aventurança.Estaremos tão embriagados com o vinho do amor espiritual que exclamaremos como Sant Darshan Singh Ji Maharaj neste verso:Quem é o Taberneiroque produz êxtase,que andou entre nós hoje? Ele derramou taças e mais taçasdo Elixir do Verbo para que possamos beberaté saciar-nos.O Taberneiro está circulando pelo universo pronto para derramar Seu Elixir de vida. Ele o servirá em qualquer recipiente aberto que encontrar. Aqueles discípulos que se sentam em meditação, abertos para receber seu presente, com certeza tê-lo-ão. Aqueles que estiverem envolvidos em seus próprios pensamentos privar-se-ão de receber suas ilimitadas bênçãos. Mas, o Mestre nunca perde a esperança. Ele continua enviando sua divina graça na esperança de que cada discípulo volte sua atenção para Ele para recebê-la. Derrama continuamente seu amor e bênçãos espirituais. Simplesmente, temos de colocar a taça em pé para recebê-los.Como Sant Darshan Singh Ji Maharaj diz em outro verso:Para fazer que o mundointeiro beba do amor divino,Ó, Darshan! o Taberneirodos céus desceu àTerra para estar entre nós. Sermos como uma taça vazia é uma forma de vida para o verdadeiro discípulo. Isto estende-se além da meditação chegando a vida diária. A relação discípulo-Mestre é de completa confiança e fé. Quando um discípulo chega pela primeira vez onde está o Mestre, vê que Ele é todo bondade doçura, amabilidade e afeto. Em virtude do contato contínuo, o discípulo também vê que todas as coisas que o Mestre ensina são provadas por meio das próprias experiências do discípulo no caminho espiritual. Pouco a pouco, o discípulo descobre que o Mestre é seu melhor amigo. O Mestre quer apenas o bem para o discípulo e cuida do aspirante em todas as esferas da vida. Enquanto outras pessoas podem causar dor ao discípulo, o Mestre cura todas as suas penas e sofrimentos. O discípulo começa a perceber que o Mestre é seu verdadeiro benfeitor e desenvolve confiança e fé n'Ele. Uma vez estabelecida a confiança e a fé, o discípulo confia plenamente em tudo o que o Mestre faz e diz. Assim, o aspirante começa a seguir Suas instruções mais fielmente. Ele sabe que qualquer orientação dada pelo Mestre com certeza o ajudará. O discípulo começa então a viver como uma taça vazia.É dito que uma vez recebida a iniciação de um Mestre, Ele ocupa um lugar dentro do discípulo, assume seus carmas e guia sua vida. Portanto, um discípulo que entenda isso, começa a aceitar o que acontece em sua vida como algo que está nas mãos do Mestre. Isso é considerado no misticismo como um estado de submissão. Não é uma submissão na qual perdemos todos os sentidos e seguimos cegamente; é uma submissão na qual aceitamos o que ocorre conosco como algo que é para o nosso próprio bem. É um estado no qual acreditamos no “doce é Tua vontade”. Todos os místicos falam sobre esse estado na vida do discípulo. É um estado em que nos elevamos acima da dor e do prazer. Aceitamos todas as coisas que nos acontecem como vindas para nosso próprio benefício. Em vez de pormos em evidência os altos e baixos da vida, permanecemos centrados no vinho interior de amor e graça que bebemos continuamente. Ficamos embriagados com o Sagrado Naam. Neste estado de intoxicação, aceitamos nossa condição, como uma parte do jogo deste mundo. Sabemos que o Mestre está cuidando de nós e o que acontecer está sob Sua direção. Em vez de nos preocupar com o que acontece em nossa vida externa, bebemos do manancial de vida desfrutando das águas refrescantes.Orar como uma taça vazia é a mais elevada forma de oração. Significa que não pedimos nada, mas simplesmente esperamos com amor e devoção o que o Mestre e Deus nos queiram dar. É uma oração na qual sabemos que Deus e o Mestre nos darão o que for melhor para nós e que Eles cuidam de nosso bem-estar. Este estado não chega facilmente. A princípio começamos a orar por uma coisa ou outra. Orar por alguma coisa em particular tem suas ciladas. Algumas vezes podemos receber resposta a nossa oração imediatamente e outras teremos de esperar. Se não obtemos aquilo que queremos há o risco de ficarmos decepcionados, desiludidos ou deprimidos. Então, perdemos a fé e sentimos que Deus ou nosso Mestre não nos ouviram e não nos respondem. Porém, quando não oramos por nada além do que Ele nos queira dar, não há perigo de desapontamento. Leva muito tempo para nos desenvolvermos até um ponto do qual possamos orar desta maneira. A fé e a confiança no Mestre devem ser desenvolvidas primeiro; e isto brota de nossas experiências. Uma vez desenvolvidas, então nos relaxamos e nos pomos sob Seus cuidados. Temos a certeza de que Ele agirá como nosso amigo, benfeitor e protetor.Doce é Sua vontade é o estado mais elevado. É uma condição na qual nossa mente se aquieta e nosso ego está em repouso. Isso é descrito mais adequadamente como: “Homem menos mente é igual a Deus”. Nessa condição, nada se interpõe entre nós e Deus. Somos uma taça vazia e Suas águas puras de divindade podem fluir para nós sem obstáculos. Não há distrações, nem separação, nem dualidade. O poder de Deus pode permear todo nosso ser. Nesse estado, podemos facilmente fundir-nos de novo em Deus.Se quisermos tirar o maior proveito das bênçãos derramadas pelo Mestre, devemos tratar de adotar essa atitude humilde do recipiente vazio. Veremos que nossa mente se esvaziará de seus incessantes desejos e distrações. Em troca, estaremos abertos para receber ondas e mais ondas, cântaros e mais cântaros de doce graça e estaremos alcançando a união com o Senhor no tempo mais curto possível.* Extraído da Sat Sandesh de janeiro, 1995 (ed. inglesa) Publicado também em espanhol na Sat Sandesh de julho/agosto/setembro 1995.Encontrando a felicidade e a paz duradouras Sant Rajinder Singh Ji Maharaj Uma das ocupações mais comuns das pessoas em todo o mundo é procurar pela felicidade e paz duradouras. A maioria de nós quer evitar a dor a todo custo. A ciência está trabalhando febrilmente para terminar com o sofrimento humano. Bilhões de dólares são gastos em pesquisas no processo da cura de doenças e para se encontrar a maneira de eliminar a dor. Para as dores físicas, temos uma variedade de analgésicos. A medicina criou até uma variedade de medicamentos para diminuir o sofrimento causado pela dor emocional. Fora da medicina, as pessoas procuram suas próprias maneiras para aliviar a dor. Alguns começam a usar drogas e bebidas alcoólicas ou os prazeres sensuais para afogar seus sofrimentos. Outros vão em busca de vários entretenimentos ou atividades para fugir das tristezas da vida. O organismo humano, como o da maioria dos seres viventes, tem uma série de reflexos. Um reflexo de sobrevivência nos diz para evitar a dor e procurar o que nos faz sentir bem. Este reflexo nos obriga a fazer escolhas a todo momento. Continuamente procuramos uma condição na qual estamos livres da dor para que possamos nos sentir bem. Neste mundo, há inúmeras oportunidades para nos sentirmos bem. Por exemplo, não desejamos apenas satisfazer nossa fome, mas queremos alimentos que sejam de paladar agradável, delicioso. Este desejo de nos sentirmos bem, muitas vezes põe de lado o que sabemos sobre o que é saudável para nós. Vemos pessoas que sabem que muito óleo ou alimentos gordurosos podem causar doenças cardíacas e outros problemas de saúde, continuarem freqüentando lanchonetes, comendo o que acham agradável e bom. Queremos viver numa casa que nos dê a sensação de conforto, de estética e beleza. Muito embora qualquer roupa possa nos vestir, escolhemos aquela da qual gostamos e que nos fazem sentir ou confortáveis ou distintos. Mesmo podendo viver com determinado salário, queremos mais dinheiro para satisfazer nossos desejos. Gastamos nosso tempo de descanso em coisas que nos trazem felicidade. Procuramos ter relacionamentos que nos satisfaçam emocionalmente. Muitas pessoas encontram a felicidade tendo filhos e constituindo uma família. Outras a encontram no trabalho. O mundo está cheio de oportunidades para nos tornar completamente envolvidos em atividades que nos levarão à felicidade. Com relação a isso há a história de um tecelão. Era vez, um velho tecelão que era devoto do Senhor Shiva, um dos três deuses do hinduismo, a quem muitas pessoas oravam. Durante vinte e cinco anos o tecelão orava ao Senhor Shiva pedindo bastante dinheiro para viver confortavelmente. A oração do tecelão para ficar rico consistia em ir ao templo do Senhor Shiva todas as manhãs e todas as tardes. Assim, ele se sentava em silêncio para orar. Depois, andava em volta do templo cento e uma vezes. Quando terminava de dar as voltas ao redor do templo ele se curvava diante da imagem do Senhor Shiva e em seguida voltava para casa. O tecelão estava cheio de fé e cumpria este ritual e oração há vinte e cinco anos. Contudo, no decorrer destes anos a riqueza nunca chegou para ele. Durante todo esse tempo ele nunca perdeu a fé e acreditava sinceramente que o Senhor Shiva um dia o tornaria rico. Ele esperava pacientemente sua oração ser respondida. Mas, o tecelão começou a envelhecer e sua saúde a deteriorar-se. Andar cento e uma vezes em volta do templo, duas vezes por dia forçava muito seu corpo físico e ele começou a se sentir muito cansado. Então, ele resolveu andar com a ajuda de uma bengala. Um dia o Senhor Shiva, que estava assentado na região celestial, ouviu a oração do tecelão, mas não respondeu a ela. A mulher do Senhor Shiva, Parvati Devi, ouviu a oração e ficou chocada porque o seu marido não estava fazendo nada a esse respeito. Ela viu o velho tecelão cambaleando quando andava em volta do templo e sentiu muita tristeza por isso. Parvati Devi aproximou-se de seu marido, Senhor Shiva e disse: "Meu Senhor, por que você é tão severo com este tecelão, ele tem sido fervoroso e o tem venerado durante vinte e cinco anos. O Senhor Shiva disse: "O que faz você pensar que sou severo com ele? "Parvati Devi respondeu:" Veja. Ele tem orado, por vinte e cinco anos para que você o abençoe com riqueza. Você não fez nada por ele. Agora ele está tão velho que anda com dificuldade. Por que você não atendeu sua oração e tornou sua vida mais fácil? "Shiva riu e disse: "Você pensa que sou frio e sem coração? Pensa que eu teria me recusado a ajudá-lo dando-lhe riqueza se ele fizesse algum uso dela? "Sua mulher disse: "O que você quer dizer com isso? "Por que ele não faria uso da riqueza? "O Senhor Shiva disse: "Seu destino não é ser rico." Parvati Devi disse: "Destino é tolice! Você acredita que exista uma única pessoa na Terra que não faria uso da riqueza se lhe desse essa chance?" O Senhor Shiva disse: "Tudo bem, provarei isto a você. Se alguma coisa não estiver em nosso destino ela não acontecerá. Você verá, darei a ele um pote de ouro. Vejamos se o recebe e faz bom uso dele. Venha comigo ao templo.Então o Senhor Shiva e Parvati Devi desceram à Terra e foram ao templo. Viram que o velho tecelão estava andando sozinho em volta do templo fazendo seu ritual diário.O Senhor Shiva disse: "Colocarei o pote de ouro na frente dele onde ele possa facilmente vê-lo. "Dizendo isso, pôs o pote de ouro no caminho do tecelão. Em seguida o Senhor Shiva e sua mulher ficaram a uma pequena distância para observarem o que aconteceria. O velho tecelão estava andando absorto em sua oração a Deus dizendo: "Ó, grande Senhor Shiva, quanto tempo devo viver esta vida de pobreza? Tenho me devotado ao Senhor por tanto tempo e o Senhor não me tem ajudado. Mas eu sou ainda agradecido ao Senhor por sua misericórdia. Obrigado porque eu ainda posso exercer meu ofício de tecelão. Estou feliz porque meus olhos ainda estão enxergando. Tenho sorte de ainda poder tecer bem mesmo em minha idade avançada." Enquanto andava o tecelão subtamente sentiu medo e pensou: "O que acontecerá se eu ficar muito velho e perder o sentido da visão e não puder mais ganhar meu sustento! O que acontecerá se eu não puder mais ver? Seria ainda capaz de vir ao templo para orar? Talvez mesmo se eu não puder tecer eu poderia fazer minha caminhada indo ao templo para orar. Mas eu seria capaz de andar ao redor do templo? Gostaria de saber se poderia fazer isso. Deixe-me ver se eu poderia andar com os olhos fechados. "Então o tecelão fechou os olhos para testar se ainda poderia andar ao redor do templo sem poder ver, mas apenas percebendo o caminho a sua volta. No momento em que ele fechou os olhos ele estava se aproximando do pote de ouro que estava em seu caminho. Mas, por causa de seus olhos estarem fechados, ele não o viu e passou por ele. Depois de ter feito a caminhada com os olhos fechados, ele os abriu e sorriu.Sim, eu posso andar em volta do templo com os olhos fechados. Mesmo se eu estiver cego eu poderei vir ao templo e adorar o Senhor Shiva. "O tecelão foi para casa feliz. Mas ele não viu o pote de ouro. O tecelão compreendeu que o ato de orar e de poder trabalhar tecendo eram as duas coisas que realmente lhe traziam felicidade. Elas significavam mais para ele que ouro.O Senhor Shiva olhou para sua mulher com um sorriso e disse: "Eu lhe disse! O tecelão não estava destinado a ser rico." Parvati Devi disse: "Você não pode ajudá-lo de nenhuma maneira?" O Senhor Shiva lhe disse: "Sim, eu posso fazer alguma coisa por ele, de agora em diante eu farei com que ele perca todo interesse por riqueza. Ele compreendeu que as coisas que o fazem feliz são seu trabalho e sua devoção. Em vez de dar a ele riqueza, darei a ele gratidão pelo que tem e isto o fará alegre e feliz." Assim, eles voltaram para o céu com o pote de ouro e o tecelão viveu o resto de sua vida muito feliz.Esta instrutiva história da tradição indiana traz várias mensagens para nós. Primeiro, muitas vezes oramos por coisas que não estão em nosso destino. Algumas pessoas passam suas vidas inteiras esperando pelo que não podem ter. Em vez de viverem alegres, estão deprimidas e desanimadas. O tecelão, mesmo sendo fervoroso, orava por alguma coisa que não estava destinada a ele e que até poderia não ser boa para ele. Somente quando ele parou de orar por riqueza e compreendeu que os tesouros que significavam mais para ele eram sua devoção e seu trabalho ele alcançou a felicidade.Pensamos que o dinheiro e a riqueza nos darão alegrias e gastamos tempo orando por eles. A felicidade real não está em moedas de ouro ou numerário em nossa conta bancária. A felicidade está em encontrar alegria e contentamento na vida. Geralmente, as pessoas quando estão diante de uma doença terminal, não se preocupam mais com dinheiro. O importante para elas são a família e sua fé em Deus. Há dádivas intangíveis. O amor torna-se mais importante, o amor pela família, o amor por Deus e o que elas fizeram para expressar seu amor pela humanidade são os dons que levam consigo para o além. Se quisermos alguma coisa devemos lutar por ela. Mas se não a conseguirmos não devemos ficar tão infelizes e desesperados a ponto de não podermos apreciar o que temos. Devemos fazer o melhor que pudermos e deixar o resto. Devemos encontrar felicidade nas dádivas que podemos alcançar. Algumas coisas estão destinadas a nós, outras não. Devemos fazer o melhor para obter o que queremos, mas se não conseguirmos, devemos aceitar isto como sendo melhor para nós ou porque não era devido a nós. Então, devemos pôr nossa atenção naquilo que nos tem sido dado, e agradecermos. Se fizermos uma lista de todas as coisas no mundo que dão prazer às pessoas, veremos que há o perigo de fracassarmos. O dinheiro vai e vem. Temos visto muitas pessoas ricas perderem tudo que tinham quando há queda no mercado de capital. Ouvimos falar de pessoas que viviam em ricas mansões, perderem suas casas por causa de furacões, tornados, enchentes, desmoronamentos, incêndios terremotos e vulcões. Jóias preciosas podem ser roubadas. Nome e fama mudam com as marés. Aqueles que são famosos hoje podem chamar tanto a atenção da mídia que amanhã se tornam assunto de escândalo. As pessoas mais nobres e poderosas despertam inveja nos outros e se tornam objeto de ataque dos inimigos que estão tentando derrubá-los. A felicidade em nossos relacionamentos também está sujeita ao fracasso. Algumas vezes perdemos uma pessoa amiga por doença ou morte. Outras vezes descobrimos que as pessoas de quem gostamos são inconstantes e infiéis. Há ocasiões em que não podemos continuar convivendo com pessoas que antes eram nossos amigos e em vez de forçarmos a situação, nós as deixamos. Afinal, todas as coisas materiais perecem. Não há como escapar. Mesmo nós, devemos esperar nosso fim.O problema com a felicidade no mundo é que ele só proporciona alegria temporária. A felicidade que acreditamos estar recebendo do mundo é somente uma ilusão.Há uma história do homem que subiu numa árvore para comer frutas. As frutas estavam deliciosas e ele saboreava uma após outra. Lá em baixo, as pessoas avisaram para ele descer porque ele estava em perigo. Ele estava se sentindo tão bem comendo as frutas que disse para as pessoas deixá-lo em paz. Acontece que ele não entendeu que o galho da árvore em que ele estava havia sido roído. Distraído, comendo as frutas, ele não havia percebido que o galho estava para cair a qualquer momento. Somos também como o homem da história. Estamos tão absorvidos nos prazeres do mundo que não percebemos que o "galho" em que estamos sentados pode cair a qualquer momento. O que é o galho e o que são os roedores? O galho é nossa vida, o número de respirações que foram determinadas para nós. Os roedores representam o tempo que está passando. Enquanto estivermos envolvidos com os prazeres do mundo não perceberemos que o tempo ameaça tomar de nós tudo o que amamos. Os prazeres que gozamos no mundo são transitórios. Eles não podem durar para sempre. Num determinado tempo devemos sofrer a dor de nossas perdas. Qualquer coisa que nos dá prazer um dia será perdido ou tirado de nós. No final seremos tirados do mundo no momento de nossa morte.Qualquer felicidade que encontrarmos neste mundo será temporária. Poderá ser momentânea ou durar semanas, meses ou anos. De qualquer forma, não poderá durar para sempre. Vivemos iludidos pensando que a vida é cor-de-rosa. Quando as coisas estão indo bem, somos agradáveis e gentis, pensando que as coisas continuarão assim todo o tempo. Não compreendemos que estamos num trem passando por obstáculos e calamidades. Pode surgir um momento crítico na vida de cada um, quando acontece um desastre ou crise e começamos a perguntar a Deus, dizendo: "Por que o Senhor deixou isto acontecer? "Podemos até perdermos inteiramente a fé na existência de Deus.Quando isto acontece, sentimos que a vida está abalada. Compreendemos que a vida não é um mar de rosas. Despertamos para o fato de que somos mortais. Compreendemos que não somos super humanos. Para muitas pessoas este momento grave e decisivo leva ao despertar espiritual. As dores e os sofrimentos chegam a nós, talvez na forma de doença, morte ou perda de familiares, amigos, entes queridos, nome, fama, prosperidade ou posses. A dor pode ser tão grande que nos voltamos para uma Força ( ou Poder ) maior para ajudar-nos. Muitas vezes, nos voltamos para Deus somente porque precisamos de ajuda. Chega um momento em que começamos a questionar a natureza da vida. Começamos tendo curiosidade de saber se Deus existe, se temos alma, o que acontece conosco quando morremos e por que estamos aqui. Estas perguntas são o primeiro passo em direção a felicidade eterna.É a dor que nos obriga a procurar respostas que despertam a atenção de Deus. Deus está sempre esperando que as almas extraviadas há tanto tempo se voltem para a espiritualidade. Deus é como o funcionário que trabalha à noite em um hospital. Todos os pacientes estão dormindo, mas o funcionário (de plantão) está sempre pronto para atender o chamado daqueles que tocam a campainha. Deus está observando cada passo nosso na vida. Quando nós não chamamos por Deus ou não pensamos em Deus, há pouco para Ele fazer. Deus é espírito e nós somos matéria, não podemos ouvir ou ver a Deus com olhos da carne. Só podemos ouvir e ver a Deus por meio do espírito. Sem nos identificarmos com nossa alma não estaremos no mesmo comprimento de onda para comunicar. Então, Deus deve esperar que gritemos do fundo de nossa alma. Nesse estado nos tornamos receptivos. Assim, Deus poderá nos dar uma mensagem interiormente. A mensagem pode ser como um impulso que nos leva a encontrar um livro, assistir uma palestra, ou encontrarmos alguém que tenha informações que possam nos ajudar a encontrar Deus. Somos então guiados por este impulso interior ao lugar no qual podemos encontrar o caminho de volta para Deus. Podemos estar à porta de alguém que tem as instruções que nos mostrará como encontrar Deus dentro de nós mesmos.Através dos tempos, aqueles que encontraram Deus nos ensinam que eles conseguiram isso por meio da oração e da meditação. Este é o primeiro passo para a bem-aventurança e felicidade espirituais. Por que? Deus é um oceano de felicidade e bênçãos. Deus é todo Amor, alegria e Luz. Este mesmo Amor, Luz e alegria são encontrados em nossa alma. Por meio da meditação, identificamo-nos com nossa verdadeira natureza, nossa alma. Do momento em que estamos cientes de nós mesmos como alma, poderemos ver e ouvir por meio da alma. Ficamos sabendo que há um fluxo ou Corrente de Som dentro de nós. Podemos ver e ouvir esta Luz e Som no ponto conhecido como terceiro olho ou olho único. Concentrando nesse ponto, entre e atrás das sobrancelhas, voamos alto nesta divina Corrente para os reinos interiores. Encontramos reinos de existência, cada vez mais elevados, cada um mais belo e mais alegres que os que estão abaixo deles. Estamos então ligados a uma contínua corrente de bênção e amor todo o tempo. Enquanto os prazeres da Terra são transitórios, as bem-aventuranças na alma, na Luz e Corrente de Som e Deus são duradouras. Encontramos uma contínua fonte de bênção espiritual e felicidade dentro de nós por meio da meditação.Quando meditamos começamos a nos elevar acima da consciência do corpo. Então compreendemos que somos mais que o corpo. Percebemos que nossa alma tem uma existência separada do corpo. Descobrimos que somos eternos. Sabemos que não morremos mas que vamos para regiões de eterna alegria providas de felicidade perene. Sabemos que quando as oferendas do mundo desaparecerem no pó, temos a certeza da vida eterna com intenso êxtase.Passamos pela vida esperando satisfazer nossos desejos. Ignoramos as conseqüências de nossas ações. A felicidade que buscamos é ilusória. Se quisermos, verdadeiramente, uma felicidade que não leve à dor e ao sofrimento, devemos procurar a felicidade permanente. Entrando em contato com a Luz e Som interior e encontrando nosso caminho para Deus, encontraremos a felicidade duradoura. A dor e o sofrimento que nos despertou para a natureza temporária da vida é a mesma dor e sofrimento que guiará nossos passos para a bem-aventurança eterna.Se observarmos a vida dos santos e místicos, veremos que muitos deles começaram sua caminhada em direção a bem-aventurança eterna passando por dores e sofrimentos. Algumas dores externas ou sofrimentos interiores fizeram com que eles se fossem do mundo para Deus. Dores e sofrimentos são parte inevitável de nossa jornada espiritual. Pode vir como um catalisador para nossa vida espiritual. Pode ocorrer ao longo de nossa jornada espiritual, pode vir como um meio para nos manter focalizados em orar a Deus por ajuda. Pode servir para advertir-nos de que a única verdadeira felicidade é a do espírito.Quando meditamos e nos elevamos acima da consciência do corpo, vemos a vida e este mundo de um novo ângulo de visão. Podemos ver que há mais para nós do que este corpo físico e há mais Realidade do que este mundo físico. Esta existência física não é mais do que uma partícula na criação inteira. Há também uma região causal, supra-causal, assim como regiões espirituais além destas. Quando exploramos estas regiões, vemos que a região física é de sofrimento e dores. Vemos que é uma região onde devemos pagar nossos débitos cármicos de eões e eões. Enquanto cada uma das outras regiões contêm cada vez maiores graus de bem-aventurança, a região física, por sua natureza, é a região da dor e do sofrimento. É uma região para saldarmos as dívidas que criamos em nossas vidas passadas.Há dor no nascimento. Ambos, mãe e filho sentem dor no processo do nascimento. Há dores sucessivas quando crescemos. Há a dor do crescimento. Há a dor que nos diz que estamos com fome e precisamos de alimento. Há dor quando estamos doentes. Sentimos dor emocional. Os bebês sentem quando são separados de seus pais. Quando mantemos um relacionamento, sofremos vários tipos de dores emocionais. Até o amor envolve um grau de dor e sofrimento quando somos separados de quem amamos. Há dor quando perdemos alguma coisa de que gostamos. Então, finalmente, há a dor da morte. Quando vemos a vida por uma perspectiva mais elevada, vemos com clareza que a própria vida é dor.Mesmo se tentarmos viver evitando causar dores e criar carmas, não conseguiremos fazê-lo, neste mundo físico. Até mesmo nossa existência no corpo humano envolve, em algum grau, tirar outras vidas. Ao respirar aspiramos micro organismos e vida microscópica na atmosfera o que causa sua destruição. O ato de andar envolve pisar em muitos insetos sem vermos ou em formas microscópicas de vida. Tudo isso cria débitos cármicos que precisam ser pagos por nosso próprio sofrimento da mesma forma. Por isso é que a meditação é tão importante. O contato com a Luz e Som interiores servem para queimar certo grau de carma e mantendo as meditações regularmente, podemos eliminar muito desses carmas diários que criamos inadivertidamente em virtude de sermos seres humanos.Não existe como escapar do sofrimento neste mundo. Não há maneira de evitar o fim do sofrimento causado pela morte. Na tradição budista há a história de uma mulher cujo filho morreu. Então, ela procurou o Senhor Buda e implorou a ele que devolvesse a vida a seu filho. Buda disse: "Farei isso se você me trouxer uma semente de mostarda de uma casa onde não tenham sentido este tipo de sofrimento." A mulher, cheia de esperança, foi de porta em porta procurando por uma casa na qual a família não tivesse passado pela experiência da morte. Procurou na primeira casa, na segunda e na terceira, inutilmente. Em cada lugar ela ouviu: "Minha mãe morreu," ou "Meu filho morreu," ou "Meu irmão morreu. "Decididamente, ela procurou em todas as casas em sua comunidade e só descobriu que nenhuma família havia escapado do sofrimento causado pela morte de um ente querido. Buda à sua maneira, ensinou a ela uma das verdades da vida. Ninguém escapa da morte física. Mas, através do contato com a Luz e Som, verificamos que embora nosso corpo morra nossa alma nunca morrerá. Nossa alma pode alcançar nosso Lar eterno, o reino espiritual de Sach Khand, que está livre da dor e do sofrimento. Nossa alma pode viver em seu verdadeiro estado de eterna bem-aventurança e felicidade.Quando nos elevamos acima dos reinos físico, astral e causal, deixamos a mente para trás. A alma então, se torna consciente de seu próprio ser. A incessante tagarelice da mente já não nos aborrece. Como alma somos pura consciência. Estamos num estado de puro conhecimento. Estamos conscientes de tudo o que existe. Tornamo-nos trabalhadores conscientes do plano divino. Isto significa que estamos cientes da Realidade sem nenhuma opinião da mente. Está além do domínio de nosso intelecto entender qual é este estado. Palavras não podem descrevê-lo porque as palavras somente funcionam por meio da mente. As palavras não podem fazer justiça à experiência de se fundir em Deus. Entramos num estado de eterna bem-aventurança. Alcançamos um estado no qual nos elevamos acima da dor e do sofrimento. As regiões de Deus são regiões alegres nas quais todos são eternamente felizes.A Bem-aventurança espiritual é nossa por herança. Podemos sentir este estado abençoado de eterna felicidade por meio do presente da meditação. Valorizemos e acalentemos esta dádiva. Dediquemos tempo regular para a meditação diariamente, assim também poderemos sentir a eterna felicidade e bem-aventurança.A espiritualidade é simples. É uma equação matemática. Exatamente como quando trabalhamos com números reais, sabemos que sempre que somarmos um mais um obteremos dois. Na espiritualidade estamos trabalhando com a verdadeira realidade. Na espiritualidade, um mais um é igual a um. Na espiritualidade, quando nossa alma se une com Deus, os dois se tornam um. A matemática é simples. Fazer este processo matemático ocorre que é muito complicado para os seres humanos conseguirem.Espiritualidade é o processo pelo qual podemos fazer dois tornarem-se um. Os santos que fizeram esta fórmula aperfeiçoaram o processo. Eles vêm à Terra para repartir conosco esta solução matemática. Obter a bem-aventurança e a felicidade espiritual é um processo de fazer dois em um. A verdadeira e eterna bem-aventurança pode ser alcançada unindo nossa alma com o Senhor, que é a fonte de todo Amor. SatSandesh/abril/2004. CONQUISTANDO AS CINCO PAIXÕES (Conquering the Five Passions)Sant Darshan Singh Ji Maharaj No mundo em que vivemos, estamos sempre a mercê de nossos sentidos e dos cinco ladrões: a luxúria, a ira, a cobiça ou inveja, o apego e o ego. As cinco paixões estão constantemente nos perturbando e impedindo de beber da fonte de Néctar que o Senhor criou para nossa felicidade e intoxicação sem limites. De fato, estamos completamente desamparados e sem esperan-ças.Por um lado, somos perseguidos pelas cinco paixões, por outro, somos ví-timas dos vinte e cinco prakritis (matéria, natureza). As antigas escrituras hindus explicam que os prakritis procedem dos três gunas, e estes gunas em conjunção com a jiv-atman (alma encarnada) mantém o processo da exis-tência. Em um texto, Kapil Dev, o fundador da filosofia Sankhya, explicou amplamente o sistema para sua mãe, Duehuti. Vários comentaristas inter-pretaram seu significado de diferentes formas, mas só um Mestre espiritual competente poderá nos explicar o verdadeiro significado com palavras simples.Dos três gunas ou qualidades, nos é dito que satogun vem primeiro. Nosso coração — eu me refiro aqui ao ser interior — provém do satogun. Manas, Buddhi, Chit e Ahankar (mente, intelecto, consciência e ego respectiva-mente), são suas quatro fases (ou aspectos) diferentes. Todos os desejos têm sua origem na mente, e a ação repetida desses desejos deixam um sinal ou samskara em nosso ser. É por este processo que a mente facilita a cria-ção de impressões permanentes em nós. O intelecto nos ajuda a decidir, a escolher e a fazer uma avaliação. Nossa consciência nos faz considerar o assunto várias vezes. O ego, por sua vez, é o fator básico que nos leva pelo caminho do egocentrismo. É o principal obstáculo na espiritualidade. Se há algum muro que nos separa do Criador é a muralha do ego. É, por sua vez, a barreira mais sutil das divisões e a mais dura. É um véu de seda, mas ao mesmo tempo uma espécie de Grande Muralha da China. Assim, satogun dá origem aos quatro elementos: Mente, Intelecto, Consciência e ego.Rajogun, por outro lado é responsável pelos cinco órgãos de percepção. As diversas escrituras, falam extensamente destes órgãos de percepção e à primeira vista parece ter bastante repetição no que eles dizem. Mas se en-contrar um Mestre Perfeito, Ele lhe mostrará a verdade sem nenhuma con-fusão. Os Mestres explicam que os cinco órgãos dos sentidos são: a pele, a língua, o nariz, os ouvidos e os olhos. Cada um deles está associado a um dos sentidos da percepção. Por exemplo a pele nos dá o sentido do tato, en-quanto que a língua nos dá o sentido do paladar. Lendo escritos antigos en-contramos a língua citada em duas categorias diferentes. O fato é que a lín-gua tem duas funções: a do paladar e a da fala. Tendo compreendido a du-pla função da língua não fica difícil entendermos que tenha duas classifica-ções. A capacidade da língua para sentir o paladar a coloca como órgão de percepção, e sua capacidade de falar a coloca como um dos órgãos de ação: mãos, pés, língua, genitais e reto. Dos cinco órgãos de percepção obtemos cinco sensações: tato, paladar, olfato, audição e visão. Assim, sob rajogun encontramos quinze prakritis diferentes: cinco órgãos sensoriais, cinco ór-gãos de percepção e cinco órgãos de ação.Tamogun é o último dos gunas, e compreende os cinco tattwas ou elemen-tos: terra, água, ar, fogo e éter. Nosso corpo físico é uma peça de argila e é um produto de tamogun Se juntarmos os quatro aspectos originais de sato-gun, os quinze provenientes de rajogun e os cinco provenientes de tamogun obteremos vinte e quatro. Se juntarmos a estes vinte e quatro o Jiv-atman ou Purush, ou o princípio de vida que anima o corpo, obteremos um total de vinte e cinco. Tudo o que vive é composto destes vinte e cinco compo-nentes.Então, surge a pergunta: Que é o jive? Sant Kirpal Singh Ji costumava ex-plicar que quando a mente e a alma se unem, surge um jive. Portanto o jive consta de dois elementos: a alma em si mesma, que não tem limites e é verdadeiramente etérea e a mente que pertence ao reino dos três gunas e que não pode transcendê-los. Somente quando nos elevamos sobre o reino dos três gunas, ou em outras palavras quando superamos a região dos pra-kritis, que finalmente escutamos o Verbo, a palavra que não se pronuncia, a Voz de Deus. Somente ao cruzarmos a terceira região espiritual é que a al-ma se ergue purificada dos três corpos: físico, astral e causal. Só então, fica em seu estado puro. O que Paltu Sahib nos explica aqui é isto: somente a-pós havermos transcendido o domínio das cinco paixões e dos vinte e cinco prakritis, após termos escapado dos três corpos, é que nos reconhecemos como alma. O Naam ou Verbo é o instrumento, o canal, o caminho por meio do qual podemos alcançar a Deus em seu estado absoluto. A ciência moderna começa a confirmar a descrição da criação que encontramos nas antigas escrituras. Recentemente publicou-se um artigo de Param Hans Ti-wari, um cientista hindu, que fez uma descoberta importante. Ele quis de-monstrar que o espaço sideral não é um vazio completo como muitos havi-am pensado até agora. Disse que está carregado de uma energia elétrica que ele chama de substância do espaço. Quando estive no ocidente pergunta-ram-me se era possível que houvesse uma “dissolução” e uma “grande dis-solução” como diz o pensamento hindu. Perguntaram-me como podia haver uma dissolução, se a energia é indestrutível; fiz referência à revista da So-ciedade Astronômica de Londres na qual era proposto que assim como a matéria pode se transformar em energia, a energia pode ser transformada em super-energia. É exatamente como a dissolução e a grande dissolução dos universos ocorrem. Antigamente, os cientistas não podiam entender como a matéria que não é destrutível podia ser transformada em energia. Agora, no entanto, investigações recentes mostraram que a matéria pode ser transformada em energia e a energia em super-energia. Estes descobri-mentos nos ajudam a confirmar as percepções dos sábios antigos. Outra vez, no ocidente me perguntaram: " Como é que o Sat Purush emite tanta luz, que se a luz de trilhões de sóis e trilhões de luas se juntarem, não po-dem comparar-se à luz de um fio de cabelo de Sat Purush?" Tentei explicar que tais afirmações não deveriam ser tomadas literalmente, porque afinal de contas, Sat Purush não tem cabelos físicos. No entanto, tais afirmações tampouco deveriam ser tomadas como exageros. Neste último mês publi-cou-se uma nova informação científica, na qual destacava-se a observação de que os raios infravermelhos fracionados em um determinado momento entre os meses de março e abril, liberavam luz equivalente à de milhares de sóis. Este é um fenômeno natural. Se a divisão de um só raio infravermelho pode dar o equivalente em luz a milhares de sóis, podem imaginar como deve ser a Luz do Todo-poderoso? Os dois grandes Mestres Hazur Baba Sawan Singh e Sant Kirpal Singh Ji, apresentaram a espiritualidade como uma ciência perfeita. Os avanços da ciência estão começando a constatar o que eles disseram.Se um Santo nos chama até Ele e derrama sobre nós o inestimável tesouro do Naam, não é necessário que nos dediquemos a ritos e cerimônias ou par-ticipemos de peregrinações. Se encontramos o Senhor de nossos corações, que mais podemos desejar? Como Sant Kirpal Singh Ji costumava dizer: “É maravilhoso sermos feridos no coração pela flecha do amor da qual todo o mundo fala, porém mais maravilhoso ainda é sermos feridos na alma pela flecha do amor de Deus". Mesmos um pouco de Seu amor é suficiente para que nos percamos n’Êle. Daí em diante, permanecemos enlevados em Seu êxtase e não precisamos buscar mais nada. Tudo o que desejamos é poder estar sós para nos dedicar à meditação. Os Mestres nos recomendam dedi-car duas ou três horas diárias à meditação, e se estivermos em um ashram, dediquemos seis horas diariamente a nossas práticas espirituais. Devemos nos sentar na doce lembrança do Mestre e viver nossas vidas segundo a vontade do Amado. Onde quer que nos sentemos, o mundo poderia pensar que estamos sós, mas nunca estamos sós, porque nosso Amado está sempre conosco. Este é um dos mistérios do caminho espiritual. Uma vez que o Mestre nos aceitou, Ele está sempre conosco, porque o Amado é parte de nós. O Amado é o alento de nossa respiração, a própria vida de nossa vida. Como Hazur Baba Sawan Singh Ji costumava dizer: "Quando o Mestre ini-cia uma pessoa que busca o Caminho, Ele fica com o discípulo, está sempre com ele e não o abandona até que o tenha levado ao regaço (seio) do Todo-poderoso”. Vemos, então, que ainda que o pesquisador pareça estar só, nunca está só, o Amado está sempre com ele. Um de meus versos diz: Fugindo dos olhares das estrelas e dos olhares das flores, dois corações se encontraram ao desvanecer da noite.Mesmo no nível mundano, o amante mantém seu amor em segredo evitan-do torná-lo público. O devoto deseja manter sua paixão como um segredo, mesmo das estrelas. Ele procura ocultar ao mundo o encontro secreto de dois corações. O dom da união constante é um presente que o Santo dá para aqueles a quem Ele ama. Não é um dom concedido pelos mortais comuns. Quando dois amantes se encontram nesta terra, sua união raras vezes per-manece em segredo. Porém, tal é o presente dado ao buscador espiritual, que esta união com o Amado permanece oculta aos olhos do mundo. O Amado está com seu discípulo, dentro dele e nunca está separado do devo-to. O mundo vê o amante só e pensa que ele ou ela está só, mas o amante espiritual está sempre com o Amado, porque o amante e o Amado se torna-ram um. No amor terreno, temos de buscar lugares solitários e habitações secretas para passarmos desapercebidos. Mas o amante espiritual tem dom especial. Ele ou ela pode estar diante do público e mesmo assim estar com o Amado sem que ninguém saiba. A vida de um devoto é uma interminável festa com o Divino Amigo. Isto não é uma bênção excepcional? O amante que percorre o caminho espiritual, não precisa buscar a solidão ou a priva-cidade. Mesmo na estrada ou em via pública ele ou ela está com o Amado. Podemos olhar isto de outro ponto de vista. O amante do Senhor em certo sentido nunca está só, mas em outro sentido está sempre só. O Devoto pode estar no meio da multidão mas ainda assim, está tão absorto e enamorado que não está com os que o rodeiam. Mesmo que o amante se sente só ou entre outras pessoas, ela ou ele está verdadeiramente separado do resto da humanidade. Está tão perdido no amor do Amado que não nota quem está a sua direita ou a sua esquerda. Está apartado do mundo exterior. No nível humano se você deseja trocar olhares de amor com o amado, tem de usar de mil artifícios para não ser notado pelas pessoas que estão a sua volta. Mas no reino da espiritualidade, é um grande dom do Senhor para o amante que ele possa seguir este amor divino no meio da multidão sem ser notado. O Amado pode vir e nos abraçar e comungar conosco onde estamos sem que ninguém perceba nem por um instante. Aquele que está flechado pelo amor em sua alma, está ferido para sempre. O amor espiritual não é algo que se conquista, parece mais com uma enfermidade que se contrai. Não tem fim nem meio e não tem cura. Quanto mais tentar curá-lo, mais cresce e aumen-ta. O amante clama por outro olhar do Amado, para que sua sede se acalme. Mas é uma sede insaciável. Quer se tenha uma gota ou o copo cheio, quan-to mais se bebe, mais se deseja. Assim, quando o Santo dirige Seu olhar de graça e amor para nós, não mata a nossa sede, só a aumenta. O amor é uma história sem fim, mas se desenrola de capítulo em capítulo. É um eterno padecer porque o amor divino é o único vinho que quando bebemos dele, mais sedentos ficamos. Quanto mais olhamos o Amado mais queremos d’Ele.Às vezes ouço algumas pessoas comentando que quando se trata de encon-trar-se com o Mestre, há maior disciplina em outros ashrans do que aqui. Era o mesmo problema na época de Sant Kirpal Singh Ji e Hazur Baba Sa-wan Singh Ji. As pessoas também perguntavam porque quando o Mestre aparecia, havia uma correria louca por Sua bênção (darshan). A verdade é que onde há amor, há loucura. Se uma pessoa sofre por querer ver o Ama-do, não se pode esperar que haja disciplina. Somente quando não há loucu-ra de amor mas um apreço racional pelo Mestre, que podemos agir de for-ma disciplinada. Mas, como pode esse coração ferido de amor, ser discipli-nado - particularmente, quando o Amado é tão magnético, tão atraente, tão encantador. Um de meus versos diz:“Por que culpas os bebedores por seus olhos anelantes quando o próprio vinho baila tão arrebatadoramente no copo?”Houve época quando Sant Kirpal Singh Ji repreendia aqueles que o rodea-vam porque não lhe permitiam trabalhar ou porque o importunavam com seus olhares famintos, mas assim é o Amado: de um lado Ele o acende com Seu amor e do outro ele censura seus esforços em acalmar sua sede. Temos razão ao criticar os bebedores por seus olhares famintos, ou deveríamos criticar o taberneiro que acende o amor com uma sede insaciável através de seus olhares? Quando o próprio Deus irradia Seu amor, por meio de uma forma humana, quem resistirá a Seus olhares? Por um lado, Ele o atrai até Ele pela beleza que irradia dos poros de Seu corpo. Por outro lado, quando você corre enlouquecido até Ele, em sua corrida por Seu darshan (bênção), Ele o repreende de modo claro porque se põe em seu caminho. Ao mesmo tempo o atrai e o afasta. Estranha, na verdade, é a maneira de ser do Amado e maravilhosas são as obras do Senhor. Diz-se: “Que Deus nos ajude contra Teu galanteio, não permitas que nenhum ser humano se torne Deus como Tu, porque sendo humanos, como podemos escapar de Tua escravidão, de Teus laços?”É a estranha condição do amante divino que Palthu Sahib está descrevendo aqui. O devoto foi abençoado com o olhar de graça do Santo; quem foi ini-ciado nunca está só, porque o Mestre está sempre com o amante. Ele ou ela está em constante comunhão e o mundo não sabe nada disso. Se deseja roubar as riquezas do mundo tem de usar de todos os artifícios possíveis para não ser notado pelo público. Mas no reino do espírito pode saquear a riqueza divina enquanto permanece diante do público e ninguém saberá. Esta comunhão secreta é, na verdade, o maior de todos os mistérios, porque no caminho da espiritualidade o amante e o Amado se tornam inseparáveis. Inflamados com este amor, nos tornamos um com o Amado e o mundo na-da sabe sobre isto. Se o Amado nos dá um olhar de graça então estamos em constante comunhão com Ele e vivendo em tal comunhão, começamos a fazer constante progresso nos planos interiores.(Streams of Néctar), página 357; by Sant Darshan Singh Ji Maharaj.Correntes de Néctar, pág. 357.Os frutos da IniciaçãoOs trechos que se seguem foram tomados de uma sessão de perguntas e respostas com Sant Darshan Singh Ji Maharaj (1921-1989) que teve lugar em Delhi, Índia.Pergunta: Que acontece se alguém é iniciado e depois não faz as meditações regularmente?Sant Darshan Singh Ji: Como guardar balas no bolso e não comê-las, a iniciação não pode ser guardada no bolso. Se você guarda alguma coisa em seu bolso, você não pode auferir o benefício dela. Mas a iniciação é algo que está creditado a nós para sempre. Nosso grande Hazur Baba Sawan Singh Ji Maharaj dizia freqüentemente que quando o Mestre inicia um discípulo, ele ocupa um lugar dentro dele e não o deixa até que ele tenha alcançado a meta final. A iniciação uma vez dada, é dada para sempre, e deve frutificar no devido tempo. Não obstante seja destinada a produzir fruto, o fruto pode ser demorado. Você pode mantê-la em seu bolso por um tempo, mais finalmente ela sairá dele. Na pior das hipóteses, se um discípulo não vive em conformidade com os mandamentos dos Mestres e não meditam, o Mestre contudo aparece e cuida da alma. É melhor tirarmos o máximo benefício da iniciação aqui e agora.Os Santos não crêem em salvação no futuro. Nosso grande Hazur sempre nos dizia: “Se a salvação for obtida somente após a morte, eu a saúdo à distância.” A salvação é para ser alcançada nesta vida e conscientemente. Este é o alvo da nossa vida.Então devemos tentar seguir os ensinamentos dos Mestres de modo que possamos nos beneficiar das glórias do caminho, dos magnânimos dons do caminho, tão rapidamente quanto pudermos. Se infelizmente demorarmos para moldar nossas vidas de acordo com as instruções, então somente retardaremos o amadurecer dessa semente que foi semeada. Não existe o perigo dela se perder. Não há a questão dela ser destruída sob quaisquer circunstâncias. A semente uma vez semeada deve finalmente frutificar, e esse fruto é a obtenção da imortalidade, da eternidade, da unificação com Deus, a obtenção do status que dizemos ser um trabalhador consciente do plano divino. Se formos iniciados, somos afortunados porque no final seremos cuidados por nosso Mestre. Então, por que retardamos isso? Se podemos obter uma dádiva, então por que deixarmos para depois? Devemos começar a agir de acordo com os ensinamentos do Mestre tão depressa quanto possível para que possamos desfrutar dos frutos da iniciação mais cedo.Pergunta: O Mestre diz que ele escolhe revelar a si mesmo ao iniciado quando assim o desejar. Gostaria de saber, qual é o critério que ele utiliza?Sant Darshan Singh Ji: O critério é deixado para o Mestre decidir. O critério normal é que quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece. Quando o discípulo tem um desejo intenso de estar no caminho, o Mestre o traz para perto Dele. Em seguida, quando o discípulo está cheio de entusiasmo, paixão e zelo para encontrar o Mestre interior tem cada vez mais experiências internas, e o discípulo devota um tempo regular à meditação e mantém o diário de auto-introspeção apropriadamente, então, quando o desejo existe o Mestre o satisfaz.Pergunta: Então quanto mais esforço fizermos, maior graça receberemos?Sant Darshan Singh Ji: Sim. É esforço de sua parte e graça da parte do Mestre. A força do Mestre está lá, a graça está lá. Nós temos somente de corresponder a ela. Devemos tentar viver em conformidade com os mandamentos. E além disso, enquanto estamos tentando viver de acordo com os ensinamentos do Mestre, não devemos pensar que estamos fazendo todo o esforço. Não devemos pensar que o que recebemos seja resultado de nossos próprios esforços. Em vez disso devemos tomá-lo como resultado da graça. Esse esforço, mais tarde também se tornará um assunto de esforço sem esforço, que começa com humildade. Lembrei-me de uma pequena história: diz-se que houve um faquir, um pesquisador da verdade que foi para o meio de um deserto e começou a orar. Deus o viu orando lá e por benevolência deu-lhe o oásis onde crescia uma romãzeira que lhe fornecia o alimento diário. Assim, o faquir comia frutas diariamente, bebia água das nascentes e continuava dizendo suas orações. Orava ajoelhado sobre uma pedra. Dizem que orou tanto que seus joelhos fizeram uma marca na pedra. Quando finalmente esse homem morreu, foi conduzido à presença de Deus. Deus disse: “Muito bem, eu o perdôo com Minha graça e lhe concedo seu justo lugar”. Então o faquir pensou: “Toda a minha vida eu fiz penitências, disse minhas orações cinco vezes ao dia, passei por muito sofrimento.” E ele pensou: “O que é isto? Deus disse que Ele perdoará meus pecados com Sua graça, e me dará um agradável lugar no céu?” Ele pensava que tudo o que lhe foi dado era devido à ele e era baseado em seus próprios esforços. Deus é todo sabedoria, por isso disse: “Meu prezado amigo, se você quer, meçamos os débitos e créditos em sua balança.” O faquir respeitosamente disse: “Sim, Senhor. Será muito bom se o Senhor fizer assim.” Então Deus começou: “Muito bem, no deserto não havia oásis. Aquele oásis foi feito especialmente em consideração a você. Também, em um oásis normalmente não encontramos romãs. E aquela romãzeira não teria o alimentado por tantos dias, diariamente. Aquela foi outra graça especial.” O faquir concordou. Deus continuou: “Então, todas as orações feitas por você estão agora igualmente contrabalançadas com a graça especial que foi dada a você criando: o oásis, a sombra da romãzeira sob o qual você pode se sentar para orar, e a produção de frutas para você diariamente. Até, aqui, toda conta está equilibrada. Vejamos agora o que mais é devido a você. Você andou por vários lugares e muitos insetos morreram sob seus pés. Deveria fazê-lo viver muitas vidas e fazê-lo a morrer muitas vezes por esse pecado. Depois você foi a tais e tais lugares e lá você ofendeu pessoas amáveis e piedosas. Você cometeu esse pecado, e por isso deveria ser-lhe dada alguma punição." Enquanto Deus continuava contando seus pecados, o faquir tapou os ouvidos como sinal de arrependimento e disse: "Senhor, bondosamente, concede-me a salvação por Sua graça!"Não podemos supor que as dádivas que recebemos de Deus sejam o resultado de nosso próprio esforço. O esforço deve estar associado à humildade, então o poder do Mestre responde. SatSandesh - agosto - 1998
Mestre Darshan
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Nome:
Francisco
franciscobhmg@hotmail.com
quarta-feira, 2 de abril de 2008
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